O linfoma de Hodgkin clássico (LHc), antes conhecido como Doença de Hodgkin, é um grupo de cânceres do sistema linfático que apresentam uma característica em comum: a presença das células de Reed Sternberg ou células de Hodgkin (com origem nas células B) em um meio de células inflamatórias.

células de Reed Sternberg do linfoma de Hodgkin

Células de Reed Sternberg. ( fonte: anatomia patológica Unicamp -anatpat.unicamp.br)

TIPOS DE LINFOMA DE HODGKIN

De acordo com as células inflamatórias de permeio, dividimos os LHc em 4 subtipos:

  1.  esclerose nodular (70%)
  2.  celularidade mista (20-25%)
  3.  rico em linfócitos (5%)
  4.  depleção linfocitária (1%)

O linfoma de Hodgkin é raro (10% de todos os linfomas) e acontece em duas faixas de idade: entre os 20 e 30 anos ou após os 65 anos e são mais comuns em homens.

FATORES DE RISCO

A causa do desenvolvimento do linfoma não está bem estabelecida, mas alguns fatores de risco já foram identificados:

  • infecção prévia pelo vírus Epstein Barr
  • países desenvolvidos (status socioeconômico mais elevado)
  • imunossupressão (após transplante de órgãos, HIV/AIDS)
  • artrite reumatóide
  • sarcoidose
  • história familiar positiva : aumenta o risco em 3 a 5 vezes

SINAIS E SINTOMAS DO LINFOMA DE HODGKIN

O principal sinal é o aumento de um linfonodo, na maioria das vezes, na região do pescoço e quase sempre sem causar nenhuma dor. Outros locais que podem ter linfonodos aumentados são a região da clavícula, axila e virilha.

agosto de combate ao linfomaAlém disso, o paciente pode apresentar os sintomas B, que já discutimos no post anterior: febre, perda de peso e suor noturno.

A coceira ou prurido é um sintoma que pode ocorrer em 10 a 15% dos casos.

COMO DIAGNOSTICAR O LINFOMA DE HODGKIN?

Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito através de uma biópsia do linfonodo alterado.

O linfonodo inteiro pode ser retirado para análise pelo patologista, através de uma pequena cirurgia, que chamamos de biópsia excisional.

Uma biópsia da medula óssea pode ser necessário se houver suspeita de doença avançada/disseminada e de infiltração da medula pelo linfoma.

Além disso, são realizados exames de imagem como o PET/CT e a tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve.

ESTADIAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN

O estadiamento em um paciente com câncer é essencial, pois a partir dele que se define o tipo de tratamento.

Resumidamente podemos classificar o linfoma de Hodgkin em 4 estágios:

Estágio I :

  • apenas uma cadeia linfonodal envolvida: cervical, axilar, inguinal ou mediastinal
  • ou apenas uma estrutura linfóide envolvida: fígado, baço ou medula óssea

Estágio II

  • envolvimento de uma ou mais cadeias linfonodais ou estrutura linfóide APENAS DE UM lado do diafragma

Estágio III

  • envolvimento de uma ou mais cadeias linfonodais ou estrutura linfóide EM AMBOS OS lados do diafragma

Estágio IV

  • doença disseminada

Na ausência de sintomas B, coloca-se a letra A ao lado do número de estadiamento. Na presença de sintomas B, coloca-se a letra B ao lado do número de estadiamento.

Por exemplo, estágio IIB significa que o paciente apresenta envolvimento de uma ou mais cadeias linfonodais ou estrutura linfóide apenas de um lado do diafragma e apresenta sintomas B.

TRATAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN

O tratamento do linfoma de Hodgkin depende, como falamos, do estadiamento, envolve regimes de quimioterapia e radioterapia e cada caso deve ser discutido com o onco-hematologista.

 

Referências:

  1. DeVitta, Hellman, and Rosenbergs Cancer: Principles and Practice of Oncology, 10th edition
  2. UptoDate – https://www.uptodate.com/contents/clinical-presentation-and-diagnosis-of-non-hodgkin-lymphoma
  3. Highlights in Lymphoma From the 2017 American Society of Clinical Oncology Annual Meeting and the 14th International Conference on Malignant Lymphoma, Clinical Advances in Hematology & Oncology, Sept 2017 – Vol 15, Issue 9